As águas de março não trazem somente chuvas em 2026, mas trazem bombas. Bombas no plural mesmo, pois enquanto em Irã e Israel com o apoio soberano dos EUA trocam bombas matando seres humanos, as bombas de combustíveis estão indo as alturas no mundo inteiro, repito, mundo inteiro e não somente o Brasil. Bom lembrar que pelo estreito de Ormuz não passam apenas petróleo e derivados, passam em sentido de ida e volta alimentos e insumos para produzir alimentos. Evidente, que uma paralisação deste intenso trafego faz com que a Economia derreta e acumule aumento nos preços, gerando por consequência uma inflação de custos.
Exatamente meu pivete, inflação de custos (também chamada de cost-push inflation) é um processo inflacionário que ocorre quando os custos de produção das empresas aumentam, levando os produtores a repassarem esse aumento para os preços finais dos bens e serviços. Nesse caso, a elevação geral de preços não decorre de um excesso de demanda, mas de pressões vindas do lado da oferta da economia. Enfiando o bisturi de modo analítico, a inflação de custos aparece quando fatores produtivos, como salários, matérias-primas, energia, combustíveis ou tributos, se tornam mais caros. Como esses insumos compõem a estrutura de custos das empresas, seu encarecimento reduz as margens de lucro. Para manter a rentabilidade, as firmas tendem a reajustar seus preços, provocando aumento no nível geral de preços. Eu acho que desenhado não ficaria melhor que esta explicação. Se combustíveis ficam mais caros devido a guerra, se insumos ficam mais caros devido a guerra, pegue a visão, a inflação é de custos.
Na teoria macroeconômica, a inflação de custos é frequentemente explicada por meio de um choque negativo de oferta agregada. Quando os custos sobem, a curva de oferta agregada desloca-se para a esquerda: a economia passa a produzir menos a preços mais altos. Esse fenômeno pode gerar simultaneamente inflação e desaceleração da atividade econômica, situação conhecida como Estagflação. Na teoria macroeconômica, a inflação de custos é frequentemente explicada por meio de um choque negativo de oferta agregada. Quando os custos sobem, a curva de oferta agregada desloca-se para a esquerda: a economia passa a produzir menos a preços mais altos. Esse fenômeno pode gerar simultaneamente inflação e desaceleração da atividade econômica, situação conhecida como Estagflação.
Um exemplo clássico ocorreu durante a Crise do Petróleo de 1973, quando a forte elevação do preço do petróleo aumentou os custos de transporte, energia e produção industrial em vários países, provocando um ciclo inflacionário mesmo em contextos de baixo crescimento econômico. Atualmente a crise bélica no Oriente Médio provoca um aumento dos custos e começa a provocar um incremento na inflação global, repito global e não apenas nacional. Em síntese, a inflação de custos caracteriza-se por um processo inflacionário originado no aumento dos custos de produção, diferindo da chamada Inflação de Demanda, na qual os preços sobem porque a demanda agregada cresce mais rapidamente do que a capacidade produtiva da economia.
Por outro lado, a Inflação de Demanda é um processo inflacionário que ocorre quando a demanda agregada por bens e serviços cresce mais rapidamente do que a capacidade de produção da economia. Nesse contexto, consumidores, empresas ou o próprio governo passam a demandar mais produtos do que o sistema produtivo consegue ofertar no curto prazo. Como resultado, os preços tendem a subir de forma generalizada. Quero dizer que a inflação de demanda se fortalece quando as pessoas querem comprar, tem grana para comprar e não tem oferta suficiente, aí o Governo promove medidas para tirar a vontade de comprar dos consumidores, forçando a curva de Demanda para baixo, estabilizando os preços.
Do ponto de vista macroeconômico, esse fenômeno é frequentemente sintetizado pela expressão “demanda excessiva”. Quando o nível de consumo, investimento ou gasto público se expande de maneira intensa, muitas vezes impulsionado por crédito abundante, aumento da renda ou políticas fiscais expansionistas, as empresas passam a enfrentar limites de capacidade produtiva. Diante dessa pressão, a forma mais imediata de equilibrar o mercado é elevar os preços.
Na discussão teórica, a inflação de demanda refere-se à demanda agregada da economia (o gasto total). Quando há essa demanda, há um deslocamento para a direita da curva de demanda, às vezes para aumentar o preço e, em outras ocasiões, a produção. Esse tipo de inflação ocorre quando a economia se expande tão rapidamente ao nível do produto potencial, de modo que os recursos produtivos (trabalho, dinheiro e serviços) também são colocados em uso cada vez mais produtivo, o que não é bom para a economia, pois a economia pode não crescer mais e a oferta pode crescer mais rapidamente sem custos ou preços adicionais. Por exemplo, durante a Crise do Petróleo de 1973, os altos preços do petróleo aumentaram os custos de transporte em muitos países e os custos de produção, o que levou à inflação mesmo onde a economia não estava crescendo muito rapidamente. Em última análise, a inflação de custos é um processo inflacionário causado por mudanças nos custos de produção e não pode ser confundida com a chamada inflação de demanda, onde os preços são aumentados se a demanda agregada crescer mais rápido do que a capacidade da economia. O gráfico a seguir, mostra que a demanda se desloca para a direita e, assim, surge um novo equilíbrio.
Feitas as devidas explicações em quase perfeito economês, ao qual peço desculpas ao público, não afeito a chata linguagem dos economistas, vamos ver a eficiência dos instrumentos para combater inflação de demanda. O principal instrumento do banco central para controlar a inflação de demanda é a política monetária. O mecanismo mais comum é, no caso brasileiro, aumentar a taxa básica de juros (Taxa Selic), conforme estabelecido pelo Banco Central do Brasil. Claro, uma série de efeitos da inflação ocorrem quando as taxas de juros aumentam, particularmente para o investimento empresarial, já que o custo do capital sobe; os investimentos financeiros tornam-se mais atraentes do que o consumo e a demanda agregada caem em geral.
Meu irmão, minha irmã, (alô Zé), aumentar a Selic ou manter a mesma elevada, neste momento é quebrar a economia, não tem razão alguma de dar um laxante a quem está sofrendo de diarreia. A economia brasileira, devido a guerra atual sofre com ingestão de itens que provocam inflação de custos, e em nada combate o índice de preços, pelo contrário, ao quebrar empresas, contribui para diminuir a Oferta, aumentando a diferença entre Oferta e Demanda, podendo além da quebradeira, aumentar ainda mais a inflação, ou seja, laxante tem a capacidade de aumentar a diarreia.
Rosevaldo Ferreira é economista, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), foi Diretor de Tributos da Prefeitura de Feira de Santana, Coordenador de Projetos do Sudic, Auditor Fiscal, Coordenador Regional da Agerba e Coordenador do Curso de Economia da UEFS.


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