O vereador de Feira de Santana e candidato a deputado estadual Silvio Dias (PT-BA) utilizou a tribuna da Câmara Municipal para repercutir uma análise publicada pelo colunista Rosevaldo Ferreira, no site Informaê, sobre o desempenho e os desafios do comércio local.
A matéria, intitulada “O comércio está quebrado ou você que não sabe vender nos novos tempos?”, serviu como ponto de partida para um discurso em que o parlamentar reconheceu a força da economia feirense, mas criticou o que considera falta de investimentos e de políticas públicas da Prefeitura para acompanhar as mudanças no comportamento dos consumidores.
Silvio destacou os números apresentados na análise do colunista, que apontam crescimento de 6,6% nas compras realizadas na cidade e aumento de 15% na arrecadação do ICMS.
Segundo o vereador, os dados demonstram que o comércio de Feira de Santana continua tendo força.
“Demonstra que o comércio tem vigor. A economia como um todo do país está efetivamente aquecida. A realidade, na prática, é que o comércio está aquecido, pois os números, tanto de crescimento do que é vendido como também o crescimento do ICMS, demonstram isso”, afirmou.
Apesar dos indicadores positivos, Silvio Dias chamou atenção para uma transformação que, segundo ele, precisa ser analisada com profundidade: a mudança na forma como as pessoas consomem.
O vereador destacou o avanço das compras online e afirmou que o comércio tradicional precisa se adaptar aos novos hábitos dos consumidores.
“As pessoas estão acessando muito as compras online, buscando a comodidade de comprar e receber em suas casas, buscando preços melhores. Essa mudança impõe principalmente ao comércio formal, às lojas, a necessidade de inovarem e buscarem formas de manter o comércio vivo”, declarou.
Para o parlamentar, Feira de Santana precisa criar estratégias para garantir que as empresas tradicionais, responsáveis pela geração de empregos e pela própria consolidação econômica da cidade, consigam sobreviver às transformações do mercado.
Silvio Dias criticou a atuação do Poder Público Municipal e afirmou que os comerciantes não têm recebido o apoio necessário para enfrentar os desafios atuais.
“Em Feira de Santana, infelizmente, não temos o apoio do Poder Público Municipal para que essas lojas que empregam, essas lojas que fizeram Feira de Santana crescer, se mantenham vivas”, afirmou.
O vereador também relacionou o esvaziamento de algumas áreas comerciais às mudanças promovidas no Centro da cidade e à retirada dos ambulantes de ruas tradicionais.
Segundo Silvio, os trabalhadores poderiam ter permanecido nas áreas comerciais desde que houvesse organização e planejamento.
“Quando a gente vai ao comércio de Feira de Santana, encontramos, aí sim, um comércio esvaziado. Mas fruto da retirada dos ambulantes que poderiam continuar trabalhando em seus locais, desde que organizados”, declarou.
O parlamentar citou a situação de ambulantes que trabalhavam em áreas como as ruas Sales Barbosa e Marechal Deodoro, além de fazer críticas às mudanças ocorridas no Centro de Abastecimento.
Para Silvio Dias, a discussão sobre o futuro do comércio precisa ir além da simples retirada de trabalhadores das ruas e envolver investimentos em mobilidade, organização urbana e atração de consumidores para o Centro.
Já no final do pronunciamento, o vereador e líder do governo municipal na Câmara, José Carneiro (União Brasil), pediu um aparte e contestou a interpretação apresentada por Silvio Dias sobre a retirada dos ambulantes.
José Carneiro questionou se o colega defendia o retorno da antiga situação da Rua Sales Barbosa e afirmou que as mudanças realizadas no local atendiam a uma reivindicação de comerciantes e da população.
“Era necessário, sim, uma mudança naquela rua. Era um anseio de todos os comerciantes e era um anseio da população. E, sem dúvida, os ambulantes foram encaminhados para um local digno”, afirmou o líder do governo.
Ao responder ao aparte, Silvio Dias afirmou que José Carneiro não havia compreendido sua posição.
Segundo o petista, sua defesa não é pelo retorno da desorganização, mas pela construção de alternativas que permitam a presença e o trabalho dos ambulantes de forma organizada.
“Eu acho que, realmente, o senhor não entendeu o que eu falei. Quando eu disse que precisava organizar, nós não vimos organização no comércio. Nós vimos uma desorganização que havia e não precisava escorraçar, não precisava perseguir os ambulantes”, rebateu.
O vereador defendeu que o debate sobre o futuro do comércio de Feira de Santana seja ampliado e envolva também mudanças estruturais na cidade.
Para Silvio Dias, diante do crescimento das compras pela internet e da transformação do comportamento do consumidor, o Município precisa pensar em novas soluções para tornar o Centro mais atrativo, facilitar o acesso da população e incentivar a circulação de pessoas.
A discussão, iniciada a partir da análise publicada pelo Informaê, levou ao plenário da Câmara Municipal um dos principais desafios atuais de Feira de Santana: como preservar a força histórica do comércio local e, ao mesmo tempo, adaptá-lo aos novos tempos, às mudanças no consumo e à transformação da dinâmica urbana da cidade.


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