A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que as investigações sobre a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste podem envolver suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionadas ao ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa. A informação foi divulgada pelo jornal Estadão nesta quinta-feira (4).
Em manifestação encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a PGR defende que o caso volte a ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento é que supostos atos de ocultação dos recursos teriam ocorrido durante o período em que Rui Costa ocupava o cargo de ministro do governo federal, o que poderia atrair a competência da Suprema Corte.
A investigação tem origem na compra de 300 respiradores pulmonares pelo Consórcio Nordeste, em 2020, durante a pandemia da Covid-19. Na época, Rui Costa presidia o consórcio e assinou um contrato de R$ 48 milhões para aquisição dos equipamentos.
Os respiradores nunca foram entregues e os valores pagos antecipadamente não foram recuperados.
Segundo a manifestação da PGR, a Polícia Federal segue realizando diligências para rastrear o destino dos recursos. O órgão aponta indícios de que parte do dinheiro possa ter sido convertida em patrimônio mantido fora do alcance das autoridades, hipótese que pode caracterizar lavagem de dinheiro.
O documento também cita a delação premiada dos empresários envolvidos na negociação. Conforme os relatos apresentados à investigação, pagamentos teriam sido feitos a um lobista que se apresentava como amigo de Rui Costa e que teria atuado na intermediação do contrato. A PGR afirma que o ex-governador integra o chamado núcleo político investigado no caso.
A decisão sobre o possível envio do inquérito ao STF caberá ao ministro Og Fernandes, relator do processo no STJ.
Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo


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